sábado, 3 de outubro de 2009

Classicismo

Mozart

O passo definitivo para a música tonal é dado com a sonata clássica. Nela os momentos de tensão e relaxamento tornam-se a base da construção formal de obras para instrumento solo e posteriormente para quartetos de cordas, trios e sinfonias. Haydn e Mozart fazem da sonata a forma musical mais importante do final do século XVIII e início do século XIX. Esse projeto é levado às últimas conseqüências por Beethoven. Suas sonatas deixam de ser jogos de divertimento ou variações sobre as melodias principais e se tornam uma profunda rede de interrelações entre ritmos, melodias e timbres. Junto com Franz Schubert (1797-1828), Beethoven abre as portas para o romantismo.

Sonata – O termo sonata tem sentidos diferenciados. No século XVII, designa uma peça polifônica, instrumental, que se opõe à sinfonia, que é mais homofônica; posteriormente, tem-se a sonata de igreja, em estilo de fuga, e a sonata de câmara, composta de uma suíte (seqüência) de danças. Com Boccherini e Carl Phillipp Emmanuel Bach, filho de Johann Sebastian, a sonata toma a forma que perdura até o século XIX: uma estrutura em três movimentos, com dois temas principais, que são desenvolvidos por meio de variações rítmico-melódicas e da modulação.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) nasce em Salzburg, na Áustria, filho de Leopold Mozart, compositor e professor de música. A partir dos 6 anos, é levado a diversos países, onde demonstra seu talento ao piano. Aos 10 anos compõe seus primeiros oratórios e sua primeira ópera cômica. Em 1781 se estabelece em Viena. Após uma temporada em Praga, volta para Viena e compõe a ópera A flauta mágica, no ano de sua morte. Deixa mais de 600 obras entre as quais 20 óperas; 15 missas (incluindo o famoso Réquiem); 100 canções, árias e corais; 50 concertos para instrumento solista e orquestra; 17 sonatas para pianos; 42 sonatas para violino e piano e 26 quartetos de cordas.





sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O Pré-Classicismo

El Minueto

Ópera Napolitana

Desde o início a ópera é a música mais popular na Itália, fazendo a transição entre o barroco e o classicismo. O seu principal compositor é Alessandro Scarlatti (1660-1725), pai de Domênico Scarlatti (1685-1757), e a cidade de Nápoles é o centro da atividade operística. Sob domínio espanhol de 1522 a 1707, Nápoles difunde o estilo musical que predomina no século XVIII. Da ópera napolitana são importantes: as grandes árias, realizadas em solos ou duos dos personagens; a distinção entre ópera séria (de temática erudita) e ópera bufa (de temática retirada do cotidiano, que não se confunde com a chamada ópera cômica); a inclusão de melodias ao gosto popular; e os invariáveis happy ends, tornando a ópera um gênero musical leve e popular. Entre seus compositores destacam-se Niccolo Jommelli (1714-1774) e Davide Perez (1711-1778) compositores napolitanos que serviram à corte de Lisboa , Alessandro Scarlatti e também Joseph Haydn (1732-1809).
Alessandro Scarlatti (1660-1725) é nomeado mestre da capela real de Nápoles em 1648, função que ocupa até sua morte. Leva a ópera napolitana a limites inusitados. Escreve 115 óperas, 700 cantatas, mais de 200 salmos, inúmeros oratórios e diversas peças de música de câmara. A maior parte dessa obra permanece em manuscritos. Pai de Domênico Scarlatti, que anos depois revoluciona a escrita para teclado. Joseph Haydn (1732-1809) começa a compor muito jovem, dirigindo uma pequena orquestra para o conde Morzin. Em 1761 é chamado para dirigir a capela de música dos príncipes Esterhazy, aos quais serve até sua morte. É responsável pela lapidação formal da música instrumental, tendo deixado 104 sinfonias, 50 sonatas para piano e 80 quartetos de cordas. É considerado o principal compositor da escola napolitana.



Haydn London Synphony N° 101 in D Major "The Clock"


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Música no Período Barroco

Antonio Vivaldi

No período que vai de 1660 a 1750, predomina uma música vocal instrumental voltada para o texto a ser cantado. É a época das primeiras óperas, das grandes cantatas e oratórios e da fuga, definindo o início da música tonal. A polifonia, com as vozes melódicas independentes do coro, cede lugar à homofonia. As melodias são simples, acompanhadas, facilitando a compreensão do texto. A música instrumental tem lugar privilegiado. Além de pontuar as óperas com passagens instrumentais, desenvolve-se como linguagem independente, favorecendo o virtuosismo técnico. A matriz composicional deixa de ser o conjunto vocal de diversas vozes, dando lugar aos instrumentos de teclado: órgão, cravo, espineta (O cravo bem temperado, Prelúdios e fugas para órgão, de J.S. Bach; as Sonatas de D. Scarlatti).

MÚSICA TONAL
Na música tonal, os modos medievais e suas variantes são substituídos pelos dois modos tonais: o modo maior e o modo menor.
As alturas – as notas – são organizadas em um desses dois modos, a partir de uma das 12 alturas cromáticas (as sete notas mais suas alterações, sustenido ou bemol), as quais dão nome à tonalidade: dó menor, dó maior, ré maior etc. O jogo principal é a resolução das tensões harmônicas sobre o acorde principal da tonalidade.
O grau de tensão é aumentado de acordo com as dissonâncias, ou a partir do recurso de modulação a passagem de um modo a outro.

PRIMEIRAS ÓPERAS
A primeira ópera de que se tem conhecimento é Dafne, de Jocopo Peri (1561-1633), apresentada em Florença, em 1597, seguida de A representação da alma e do corpo, de Cavalieri, em 1602. Essas primeiras óperas têm dificuldade em concatenar música e cena e os textos são pouco claros. Em Orfeu, de Monteverdi, de 1607, esses problemas estão superados. A orquestra de Orfeu é renascentista, com instrumentos de base (contínuos), formando um conjunto de sopros e cordas. Monteverdi cria uma variedade de coloridos sonoros ligados às diversas situações expressivas da ópera, como os metais sempre associados ao inferno. Abre espaço para solos vocais recitativos, onde o cantor fica mais livre para declamar e atuar.
Fora da Itália, a ópera se desenvolve tardiamente. Na Inglaterra, com Henry Purcell (1659-1695), e na França, com Jean Baptiste Lully (1632-1687), um italiano naturalizado francês, que retoma a tradição dos Balés de Corte, enquadrando seu trabalho dentro do grande movimento cultural francês da época, em que despontam Molière, Racine, La Fontaine, entre outros.
Claudio Monteverdi (1567-1643) nasce em Cremona e torna-se aluno de Marc-Antoine Ingegneri, mestre da capela de Cremona. Passa 12 anos de sua vida servindo ao duque de Mântua, para quem produz diversas óperas (Orfeu, O combatimento de Tancredo e Clorinda) e diversos livros de madrigais. Em 1613, é nomeado mestre-capela de São Marcos, em Veneza. Cria o concitato, um estilo musical agitado que busca exprimir os tremores profundos da alma.
Oratório, cantata e fuga – O oratório e a cantata são formas vocais dramáticas não encenadas. Junto com o ricercari, as suítes de danças, as tocatas para instrumentos solistas, o concerto grosso onde um dos instrumentos é destacado e a sonata, levam adiante a música tonal. A partir do antigo ricercari desenvolve-se a fuga, forma musical baseada no princípio de imitação: uma voz melódica acompanha a outra com uma certa defasagem, caminhando as duas simultaneamente, num jogo polifônico. O mestre dessa forma musical é Johann Sebastian Bach
Johann Sebastian Bach (1685-1750) nasce em Eisenach, na Alemanha. Órfão, é educado por um tio. Começa como cantor na igreja de São Miguel em Lüneburg, passando a violonista na corte de Weimar. Em São Bonifácio de Arnstadt, consegue seu primeiro cargo como organista. Dedica grande parte de sua obra a ofícios religiosos (oratórios, cantatas, corais) e formações instrumentais (Oferenda musical, A arte da fuga, Concertos brandenburgueses, Concerto duplo para oboé e cravo), tendo desenvolvido uma escrita particular para instrumentos solistas (Partitas para violino solo, Suítes para violoncelo solo) e para teclados (Prelúdios e fugas para órgão, Livro de Ana Magdalena Bach). É um dos pioneiros no uso do temperamento – afinação dos instrumentos de teclado que permite tocar em mais de uma tonalidade sem a necessidade de reafinar o instrumento – como nos seus prelúdios e fugas do Cravo bem temperado.
Concerto grosso – Junto com a sonata, é uma das formas instrumentais mais importantes da música barroca. Se baseia no contraste entre duas massas sonoras diferentes. Um pequeno grupo chamado de concertino, é sempre repetido por um grupo de maior dimensão: o tutti (do italiano todos). O concertino consiste de um trio de cordas e alguns sopros. Um instrumento, o continuo, garante a fusão harmônica das linhas melódicas dos dois grupos. Essa forma musical teve dois grandes mestres: Arcangello Corelli e Antonio Vivaldi.
Antonio Vivaldi (1678-1741) nasce em Veneza, Itália. Filho de violinista, estuda música e teologia ainda jovem. Ordena-se padre pela Igreja católica e é chamado de o "padre vermelho", dada a coloração ruiva de seus cabelos. Sua música instrumental é um dos pontos altos da escritura musical italiana da primeira metade do século XVIII. É inovador no uso de escalas rápidas, arpejos extensos e registros contrastantes em suas peças. Desenvolve principalmente a escrita para cordas, em especial o violino. Muitos de seus inúmeros concertos para instrumentos solistas e orquestra, concertos grossi, sonatas, óperas e peças corais são ainda hoje desconhecidos. Sua obra esperou até a metade do século XX para ser reconhecida. De suas peças a mais popular é o ciclo As quatro estações.



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Música Clássica no Renascimento


Nos séculos XV e XVI a música vocal polifônica passa a conviver com a música instrumental nascente. Destacam-se a polifonia franco-flamenga (França e região de Flandres parte da Holanda e Bélgica atuais), a polifonia da escola romana e a música dos madrigalistas italianos.

Polifonia Franco-Flamenga:
Herdeira direta da polifonia da Ars Nova, a música da França e região de Flandres realiza profundas mudanças na linguagem polifônica.
As vozes deixam de ser heterogêneas (sonoridades mistas resultantes de textos diferentes simultâneos) e entrecortadas, tornando-se alargadas e homogêneas. A rítmica extremada cede lugar à naturalidade das linhas melódicas, não submetidas às proporções matemáticas da Ars Nova.
O moteto dá lugar à canção, ao madrigal e à missa

Primeira geração:
– Destacam-se Gilles Binchois (1400-1460) e Guillaume Dufay (1400-1474), que, tendo participado por nove anos do coro da capela papal em Bolonha, acrescenta à polifonia a sinuosidade das melodias italianas.


Segunda geração:
– É marcada pela música de Johannes Ockeghem, com quem a polifonia, de no máximo quatro vozes, é ampliada até 36 vozes simultâneas, caracterizadas por fluxo contínuo, ritmo brando e complexo.

Johannes Ockeghem (1420-1491) nasce em Termonde, na região de Flandres Oriental, e estuda com o mestre polifonista Binchois. Em 1452, torna-se mestre-capela dos reis da França, em Paris, e tesoureiro da Abadia de Saint Martin de Tours, em 1459. Dele foram conservadas 17 missas, sete motetos e 22 canções e o primeiro réquiem polifônico conhecido.

Terceira geração:
– Destaca-se Josquin des Près, que volta a empregar conduções vocais em movimentos paralelos, com uma melodia marcada por rítmica mais uniforme. Os motetos são retomados, com um forte simbolismo musical que realça o conteúdo expressivo das obras. É dessa época também o surgimento dos primeiros editores de música: Veneza (1501) e Paris (1527).


Quarta e quinta gerações:
– É representada por Adrian Willaert (1480-1562), discípulo de Josquin, e por Orlando di Lasso (1532-1594), compositor de 70 missas, 100 magnificats e mais de 200 madrigais, entre outras obras.


Escola Romana:
No século XVI, em Roma, um grupo de compositores faz música predominantemente religiosa, fundindo elementos da escola franco-flamenga com a riqueza das melodias italianas.
A escola romana retoma o canto gregoriano na composição polifônica, atendendo às exigências da Contra-Reforma.
Seu principal representante é Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594), cuja obra é modelo para as escolas posteriores. A independência entre as vozes melódicas, o equilíbrio harmônico (nenhuma voz sobressai a outra) e a melodia agradável são ressaltados nos tratados de Berardi, no século XVII, e de Fux, já no século XVIII.

Madrigalistas Italianos:
Do século XVI ao XVII, impera na Itália o madrigal, a conjunção perfeita entre música e texto. O madrigal é herdeiro direto das chansons francesas, que já possuem caráter descritivo, como o canto de pássaros, os gritos de pregão nas ruas, a narração de batalhas. Baseia-se na prática polifônica e na homofonia nascente, além da monodia medieval. A música, inspirada pelo texto, é fortemente descritiva.
Certos recursos sonoros são utilizados em situações determinadas: movimentos cromáticos se associam à tristeza, um intervalo de quarta ou quinta descendente corresponde ao choro etc. Por seu caráter dramático, o madrigal é o elo de ligação entre a música modal medieval e renascentista e a música tonal do barroco, classicismo e romantismo. Seus principais compositores são Luca Marenzio (1554-1599), A. Gabrieli (1510-1586), Carlo Gesualdo di Venosa (1560-1613) e Cláudio Monteverdi (1567-1643).

Música na Escola


Agora é lei! Criança na escola terá que cantar e tocar instrumentos! As escolas do ensino básico - públicas ou particulares - no Brasil inteiro serão obrigadas a oferecer aula de música.

Segundo especialistas, a música faz o aluno aprender melhor as outras matérias.
E para mostrar como a música pode mudar a vida de uma criança, o músico Lucas Ciavatta mostra um método de educação musical criado por ele em 1996.
O Bloco do Passo é um grupo de percussão e canto dirigido por ele e composto por jovens entre 17 e 22 anos. A força e a criatividade da música do bloco vêm impressionando e surpreendendo o público que o assiste. O que causa maior admiração é a variedade e a riqueza das propostas musicais apresentadas com precisão e qualidade. O repertório do grupo inclui ritmos, como o samba, o maracatu, o congo, o alujá; cantos, como Emboladas e Incelenças; e experimentações que investigam as relações de tempo e espaço. “O Passo é um modelo de regência com os pés. Cada um é o seu próprio maestro”, disse.
Confira o vídeo!


www.opasso.com.br